© 2017 por Camila Alemany 

As transformações do "Dia das Mães"

May 13, 2018

O capitalismo, os interesses políticos, a manipulação e o consumismo se encarregam de desvirtuar até mesmo ações e sentimentos profundos e sinceros referentes ao "Dia das Mães". Gostaríamos de resgatar a história para homenagearmos às mães que lutam por seus filhos e merecem todo o carinho e amor, muito mais do que demonstrações comerciais.

 

As origens do dia das mães: 

 

Ann Maria Reeves Jarvis, ativista estadunidense, fundou em 1858 os "Mothers Days Works Clubs" com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Jarvis organizou em 1865 o "Mother's Friendship Days" (dias de amizade para as mães) para melhorar as condições dos feridos na Guerra de Secessão que assolou os Estados Unidos no período.

 

Julia Ward Howe convocou o primeiro Dia das Mães em 1872. Feminista abolicionista e pacifista estadunidense, ela teve como objetivo dedicar um dia à paz em homenagem às mães que perderam os seus filhos e maridos durante a Guerra Civil dos Estados Unidos.

 

Leia a íntegra da declaração:
“Levantai-vos, todas as mulheres que têm coração, sem importar se o seu batismo tenha sido de água ou de lágrimas! Digam com firmeza: ‘Não permitiremos que os grandes questões sejam decididas por agências irrelevantes. Nossos maridos não virão a nós cheirando a carnificina para carícias e aplausos.

Nossos filhos não serão tirados de nós para desaprender tudo o que temos sido capazes de ensiná-los de caridade, misericórdia e paciência. Nós, mulheres de um país, seremos demasiado ternas com as mulheres de outro país para não permitir que nossos filhos sejam treinados para ferir os delas.

Do peito da terra devastada uma voz sobe com a nossa e diz: ‘Desarmar! Desarmar!' A espada do assassinato não é o equilíbrio da justiça.’ O sangue não limpa a desonra nem a violência indica a possessão.

Como os homens muitas vezes abandonaram o arado e a bigorna na convocação da guerra, deixem as mulheres deixar agora tudo o que pode ser deixado de casa para um grande e sério dia de conselho. Que se encontrem primeiro, como mulheres, para lamentar e comemorar os mortos. Que elas então solenemente se aconselhem umas com as outras sobre os meios pelos quais a grande família humana pode viver em paz, cada uma aprendendo após o seu próprio tempo, a impressão sagrada, não de César, mas de Deus.

Em nome da feminilidade e da humanidade, peço sinceramente que seja instituído um congresso geral de mulheres, sem limite de nacionalidade, que possa ser designado e mantido no lugar considerado mais conveniente e, no mais curto prazo, coerente com os seus objetivos, promover a aliança entre diferentes nacionalidades, soluções amigáveis de questões internacionais, que atendam aos grandes e gerais interesses pela paz.”

 

A filha de Ann Maria Reeves Jarvis, a metodista Anna Jarvis, dois anos após a morte de sua mãe iniciou uma campanha para que o Dia das Mães fosse um feriado reconhecido. Com a crescente difusão e comercialização do Dia das Mães Anna Jarvis afastou-se do movimento, lamentou a criação e lutou para a abolição do feriado.

 

Fontes: (com ajustes de tradução)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_das_M%C3%A3es

https://revistamarieclaire.globo.com/Noticias/noticia/2017/05/o-dia-das-maes-foi-criado-ha-145-anos-por-uma-feminista.html

https://www.plough.com/en/topics/culture/holidays/mothers-day/the-original-mother-s-day-proclamation

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